20.11.17

O amor da direita radical pelos trabalhadores do sector privado



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Um dos aspectos mais curiosos do debate sobre o orçamento, que não é novo, mas que se intensifica sempre que parece haver ganhos de causa do sector público, é o imoderado amor da direita pelos trabalhadores do sector privado, as “vítimas” da captura do Estado por um Governo constituído por lobbies do sector público, seja o PS, seja o PCP, seja o BE, sejam os negregados sindicatos. A história deste orçamento seria assim o de um agravar dos privilégios dos funcionários públicos, os principais beneficiários das “reversões”, cujo efeito na economia “real” será pago pelos trabalhadores do sector privado, seja na manutenção dos baixos salários, seja no desemprego e na precariedade.

Tudo isto é verdade e tudo isto é mentira. Melhor: tudo isto é resultado de um confronto político, ideológico e social. Melhor ainda: tudo isto tem que ver com o poder político, com a justiça social e a forma como os sectores da direita mais radical — e, hoje, insisto mais uma vez numa coisa que muito irrita essa direita, a direita portuguesa que se expressa no espaço público é bastante radical — apresentam um “plano de sociedade” assente na desigualdade a que atribuem ser o motor do desenvolvimento. Esta descrição é eufemística, mas para já serve.

Para eles, a desigualdade social é o único mecanismo que pode garantir o crescimento económico, e para existir essa desigualdade é fundamental que as “pessoas certas”, os partidos certos e os grupos sociais certos estejam no poder para manter uma hierarquia que garanta essa desigualdade. E este programa não dá ao “trabalho” uma função criativa e dinâmica na economia, logo na sociedade, e muito menos os dá aos trabalhadores, sejam do sector privado, sejam do sector público. Vivemos anos de uma crise provocada pelos desmandos do sector financeiro, mas cujos custos foram assacados ao “esbanjamento” dos trabalhadores. Os trabalhadores eram os responsáveis por uma sociedade que vivia “acima das suas posses” e teria de ser “ajustada”. É o que hoje ainda pensam: cada euro que vá para salários ou funções sociais é um risco para a “economia”, e quando o “Diabo” vier vai ter de ser tudo, outra vez, posto na ordem.

Não é por acaso que os governantes dos anos do “ajustamento” pensavam (como aliás a imprensa económica) que a economia eram as empresas, como se estas existissem sem trabalhadores, vistos apenas como um “custo” que era preciso diminuir. Nesses anos nunca se dirigiam aos trabalhadores a não ser para impor as célebres “reformas estruturais” no mundo do trabalho, todas no sentido de facilitar os despedimentos, pôr em causa a necessidade de haver uma “justa causa”, diminuir salários e pensões, combater os direitos dos reformados, acabar com a negociação colectiva, enfraquecer os sindicatos, fragilizar o lado dos trabalhadores em relação aos patrões numa relação social que é já de si muito desigual. Tudo isto foi feito pelos mesmos que agora amam os trabalhadores do sector privado, face aos privilégios do sector público. Aliás, na verdade, o que muito os incomodava era não poderem fazer na função pública o mesmo que faziam no sector privado.



República Espanhola



E pronto: a Espanha voltou a ser uma República e nós não sabíamos.
.

19.11.17

Dica (666)



Com os refugiados rohingya no campo 12 (Helena Ferro de Gouveia)
.

Catalunha, ainda



Ofensiva contra Catalunya, franquismo y presos políticos.

«¿Vuelve el franquismo?
¿Los presos catalanes son presos políticos o sólo vulgares políticos presos?
¿Es concebible hablar de represión política en una democracia? ¿Tienen derecho a la solidaridad unos presos que ni siquiera han sido salvajemente torturados?
Entre los efectos colaterales de la ‘crisis catalana’ han proliferado como setas, en medios y redes, dilemas como los anteriores, expandiendo así el campo de batalla también al terreno ideológico y poniendo a prueba nuestras convicciones democráticas. (…)

Todas las víctimas catalanas de la ofensiva estatal, perseguidas por defender opciones democráticas y legítimas, coincidan o no con el ‘ordenamiento constitucional’, cuentan con nuestra decidida solidaridad, por encima de las posiciones políticas particulares de cada cual.»
.

18.11.17

Vêm aí tempos complicados


-

Dica (665)



¿Desglobalización? (Boaventura de Sousa Santos) 

«Ocurre que la mayoría de esos Estados son, de hecho, plurinacionales. Incluyen pueblos de diferentes nacionalidades etnoculturales y lingüísticas. Fueron declarados nacionales por la imposición de una nacionalidad sobre las otras, a veces de modo muy violento. Las primeras víctimas de ese nacionalismo interno arrogante, que casi siempre se tradujo en colonialismo interno, fueron el pueblo andaluz después de la llamada Reconquista de Al-Ándalus, los pueblos indígenas de las Américas y los pueblos africanos después del reparto de África. Fueron también ellos los primeros en resistir. Hoy, la resistencia junta a las raíces históricas el aumento de la represión y la corrupción endémica de los Estados dominados por fuerzas conservadoras al servicio del neoliberalismo global. A ello se añade el hecho de que la paranoia de la vigilancia y la seguridad interna ha contribuido, bajo pretexto de la lucha contra el terrorismo, al debilitamiento de la globalización contrahegemónica de los movimientos sociales, dificultando sus movimientos transfronterizos. Por todo esto, la globalización hegemónica se profundiza usando, entre muchas otras máscaras, la de la soberanía dominante, que académicos desprevenidos y medios de comunicación cómplices toman por desglobalización.»
.

Manuel António Pina - Seriam 74



Nasceu em 18 de Novembro de 1943 e morreu há cinco anos. Por mais banal que seja, nem por isso deixa de ser importante lembrar que continua a fazer-nos muita falta com as suas crónicas inconfundíveis e com os seus excelentes livros.

Sabe-se agora que o seu espólio vai ser digitalizado, o que é uma excelente notícia.

Hoje como sempre, seria certamente uma voz bem forte e lúcida que nos daria força e alento para ler o momento presente e para enfrentar o futuro – «A pensar de pernas para o ar»:

Pensar de pernas para o ar
é uma grande maneira de pensar
com toda a gente a pensar como toda a gente
ninguém pensava nada diferente

Que bom é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição
as coisas sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão

Manuel António Pina, in O país das pessoas de pernas para o ar
..

O caso do padre-pai do Funchal



Será que os pais podem ter guarda conjunta da filha, ou seja, poderá a criança passar uma semana com a mãe e outra com o pai? Pai é pai. Caso a ser seguido com curiosidade.
.

O isolamento americano e a Europa



«Durante milhares de anos os mandarins chineses praticaram a arte de agradar aos imperadores. Sabiam criar o ambiente para a hospitabilidade perfeita para que os visitantes se sentissem bem.

Foi isso que a China fez durante a visita de Donald Trump: este teve direito a uma visita à Cidade Proibida, a uma parada militar e a um banquete no Palácio do Povo. Até presenteou o presidente americano, massajando-lhe o ego, com acordos no valor de 250 mil milhões de dólares. Uma boa notícia para Trump chegar a Washington e dizer que vai haver mais "empregos" para americanos. De Pequim, Trump saiu como um americano feliz, o que lhe permitiu ir para o encontro de líderes asiáticos dizer coisas inenarráveis que colocam em risco a longa relação dos EUA com os seus mais fortes aliados na Ásia. Os EUA querem desenhar uma nova estratégia de "contenção" da China, que passa por uma aliança com a Índia. Mas, pelo caminho, vão queimando velhas amizades.

Já não basta o afastamento da Europa, e mesmo a vontade cada vez maior de pôr em causa a UE (como é evidente no caso da Catalunha). Os EUA de Trump julgam que a diplomacia é um negócio e que os presidentes são CEO. Erro que joga a favor da inteligência política de Xi Jinping e da China. Os EUA vão ainda durante muito tempo ter o poder do dólar (moeda livre e facilmente transaccionável) como pilar do seu poder no mundo, já que continuará a ser a moeda de referência. Algo que tão cedo o yuan não conseguirá. Mas, como alertava Thomas L. Friedman num excelente artigo no "New York Times", a China olha a longo prazo. E aí está em vantagem, porque Trump não pensa o mundo como um todo. Só vê uma parte. Por isso não percebe a importância das três "mudanças climáticas" de que fala Trump, e que serão centrais na política do futuro próximo. As mudanças climatéricas existentes vão causar mutações nos ecossistemas, com repercussões na vida económica, social e política.

A globalização está a passar de uma fase de interconectividade para uma de interdependência. E está a assistir-se a uma mudança no "clima" da tecnologia e do emprego, com a inteligência artificial a ocupar o território. Qualquer líder tem de pensar nestas mudanças. Trump não o parece fazer, ao contrário da China. Está a perder a batalha das energias limpas, apostando no carvão e no petróleo. Enquanto a China expande a sua rede comercial global (com a influência política que isso traz), com o seu projecto das Rotas da Seda, a América de Trump quer ser "primeira" em tudo e com isso está a afastar a pontapé os seus velhos aliados económicos, culturais e políticos. Ficará a falar sozinha. Friedman, referindo-se aos velhos desenhos animados, diz que a China está no mundo dos Jetsons, enquanto Trump repousa no universo dos Flintstones. Nada garante que a fórmula chinesa, de capitalismo de Estado, seja vencedora. Mas Trump parece, desde já, estar a fazer regressar os Estados Unidos ao espírito do Velho Oeste.»

.

17.11.17

Avó atrasada…



Ensinassem-na a mexer nas maquinetas, isso é que era!
.

Dica (664)



'Trump has fascist tendencies' (Joseph Stiglitz) 

«The Nobel prize-winning economist on the threat from the US president, fairer globalisation – and whether Bernie Sanders would have won.»
.

17.11.2013 – O dia em que Doris Lessing morreu



Morreu há quatro anos com 94. Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura e escreveu então um belíssimo discurso de que recordo como se o tivesse lido hoje. Intitulou-o: «Como não ganhar o prémio Nobel».

Falou de livros, do sonho de saber nos países pobres, da falta de interesse da juventude no mundo dos ricos. Falou sobretudo de África, do Zimbabwe que ela tão bem conheceu, recordou uma «aldeia onde a população não comia há três dias, mas onde se falava de livros e dos meios para conseguir obtê-los»; um autor negro, seu amigo, que «aprendeu a ler sozinho, nas etiquetas dos frascos de compota e das latas de conservas de frutos»; uma localidade perdida no mapa, onde dois jovens resolveram escrever romances na língua nativa (tonga); um jovem de dezoito anos que, ao receber uma caixa com livros oferecidos por um americano, os embrulhou cuidadosamente num plástico, com receio de que se estragassem e sabendo que dificilmente poderia voltar a receber outros.

O discurso é longo, pode ser liso em inglês ou em francês, mas deixo aqui os últimos parágrafos em português.

«Há sempre um contador de histórias no fundo de cada um de nós, o “fazedor de histórias” esconde-se em nós. Suponhamos que o nosso mundo era destruído pela guerra, pelos horrores que todos podemos facilmente imaginar. Suponhamos que inundações submergiam as nossas cidades, que o nível dos mares subia… O narrador estaria sempre lá, pois é o nosso imaginário que nos modela, que nos faz viver, que nos cria, para o bem ou para o mal. São as nossas histórias que nos recriam quando estamos despedaçados, moribundos, ou mesmo destruídos. É o narrador, o fazedor de sonhos, o construtor de mitos, que é nossa fênix, aquilo que somos no melhor de nós mesmos, da nossa criatividade.

Cremos ser melhores do que a pobre mulher africana que caminha na poeira sonhando com a educação dos seus filhos – nós, empanturrados de comida, com os nossos armários repletos de roupas, nós que sufocamos sob o peso do supérfluo?

Estou totalmente convencida de que é aquela mulher africana e todas as outras mulheres que me falaram de livros e de educação, embora não tivessem comido nada desde há três dias, que ainda nos podem definir no momento presente.»
,

Sondagem: «Ó pátria, sente-se a voz dos teus egrégios avós»

TV Marcelo



«"Belém informa que Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Hospital São Francisco Xavier depois de falar com ministro da Saúde". "O Presidente Marcelo passou a noite com os sem-abrigo em Lisboa." Marcelo está em todo o lado. Já lhe pus a alcunha de Omnipresidente.

Conhecido como o "Presidente dos afectos", Marcelo aparece onde há tragédia ou infelicidade. Esta semana, quando vi Marcelo ir passar a noite com os sem-abrigo, fiquei a pensar se ele não iria lamentar que aquela caixa de cartão, onde vivia um sem-abrigo, tinha pouca luz para ler.

Como o nosso Presidente dorme pouco, e lha dá a insónia, lá vai ele durante a noite fazer o bem e, com ele, vai sempre uma equipa de televisão, seja a que horas for. Marcelo ainda não percebeu que as pessoas que trabalham na TV precisam de dormir mais de três horas por dia ou ficam com má cara. O nosso Presidente Marcelo já vai nos 99,99% de popularidade. Os 0,01 são os "cameramen" das televisões.

Atenção, não duvido da bondade de Marcelo e acredito que, para um sem-abrigo, passar a noite com Marcelo é melhor do que passar o lusco-fusco com Cavaco, mas dá a sensação que o Presidente Rebelo de Sousa recebeu milhares de cheques, daqueles de A vida é bela, mas no sentido oposto. Em vez de uma massagem oriental, é "venha experimentar ser mendigo 48 horas". Não vai andar de balão no Alentejo, mas vai ver um avião despenhado num minimercado. Em vez de uma ida ao Oceanário, vai espreitar doentes com legionella por detrás de um vidro. É triste.

Também estou certo que, em termos de beijos, o nosso Presidente já deve estar no Guinness Book. Marcelo já beijou mais gente numa semana do que o Harvey Weinstein em toda a carreira de produtor.

Para o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, é sempre a aviar, como se fosse na farmácia, mas com beijos de marca (não genéricos). O mesmo para as respostas a jornalistas e pessoas em geral. Já nos velhos tempos na TVI era assim. A Judite sacava de perguntas e ele, pumba, aviava, não um beijo, mas uma resposta rápida, que durava exactamente o mesmo tempo, quer o tema fosse o sentido da vida ou a carreira do Sporting de Braga. Houve tempos em que pensei que o próprio Professor Marcelo escrevia as perguntas da Judite, e das cartas que lhe mandavam, e passava a noite acordado a decorar as respostas. Na altura, o meu sonho era conseguir pôr, lá pelo meio, uma pergunta sobre o tempo de gestação de um rinoceronte. Só para ver se o Professor Marcelo não patinava pela primeira vez. Já agora, fiquem a saber que o tempo de gestação de um rinoceronte são 16 meses se tudo correr bem. Mas, se interromperem a gravidez, aos seis meses podem ter um cágado.

Chego ao final da crónica como uma sugestão. Para o ano, em vez de um dia sem carros, podíamos experimentar um dia sem Marcelo. Fica aqui a ideia.»

João Quadros
.

16.11.17

Trump na China


.

A privatização dos CTT é tão boa – não foi?



Nada mais eficaz para que acções subam na Bolsa do que prometer despedimento de trabalhadores. Está escrito nas estrelas.


«Segundo noticiou a revista Sábado, na quarta-feira, a empresa liderada por Francisco Lacerda (na foto) vai avançar com um programa de rescisões que pode contemplar até 300 trabalhadores. A operação, no âmbito da reestruturação dos CTT, será feita através de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas, soube aquela publicação.»
.

Miguel Abracadabrantes



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
.

Falemos de refugiados (2)



«Prólogo: esta é uma história muito dura, as pessoas sensíveis que passem ao largo.

Esta menina Rohingya chegou há poucos dias ao campo de refugiados de Thangkhali. Tem quatro anos e perdeu o braço esquerdo.

Pai, mãe e tio foram mortos com machetes pelos militares de Myanmar. A mãe colocou a menina debaixo do seu corpo para a proteger, morreu abraçada à filha salvando-lhe a vida. Já com toda a família morta os militares cortaram o braço à menina e permitiram que fugisse com uma tia. São as únicas sobreviventes da família.

A menina está agora a ser cuidado na Orphan Friendly Zone da Fundação para a saúde do Bangladesh.

É por estas crianças (e são tantas) que os Rohingya não podem ser esquecidos.»

Helena Ferro de Gouveia no Facebook 
(Especialista em Trauma de Guerra, Combate ao discurso de ódio e Conflict Sensitive Journalism)
.

A lição do futebol italiano



«Itália, estilhaçada pela política tribal, encontrou mais um motivo para ser atendida no divã do doutor Freud. A sua selecção não vai estar no Mundial de futebol. Não é um pesadelo. São todos os círculos do Inferno de Dante juntos.

Este é um daqueles momentos em que os países latinos, mais emocionais do que racionais, se olham ao espelho e julgam que o Apocalipse chegou sem avisar. Itália, que se tem defrontado com todos os males do mundo, descobre agora que o único valor seguro que tinha, o futebol, deixou de ser a almofada onde podia acomodar todos os seus suplícios. Continua a ser uma grande potência económica da Europa, mas a sua influência é diminuta. As suas empresas, outrora gloriosas, são uma miragem. A sua decadência parece a da Argentina, também ela governada por uma elite de raízes italianas. Na selecção há, no entanto, uma diferença: à beira do precipício os argentinos têm Messi; Itália só tem as lágrimas de Buffon.

A decadência de Itália confunde-se com a do seu futebol: o "calcio" já não concorre com a Premier League inglesa ou com a La Liga espanhola. Já não atrai os melhores jogadores. E, pelos vistos, já nem consegue criar talentos que formem uma grande selecção e, pior, uma ideia de jogo. Isso surpreende, porque os italianos chegaram a ser os mestres da táctica. Quem se recorda do AC Milan de Arrigo Sacchi, com Gullit, Van Basten, Rijkaard, Baresi ou Maldini. Eram 11 jogadores a defender e a atacar ao mesmo tempo. Jogavam e ganhavam. Fizeram o caminho de Silvio Berlusconi para o poder em Itália. Nada diferente do futebol de hoje: os projectos e os orçamentos dos clubes dependem das vitórias e dos títulos. Essa é a quimera dos clubes, das selecções, e dos países. O futebol alimenta ilusões. Veja-se Portugal: o Euro 2016 foi mais do que uma vitória futebolística. Simbolizou o fim da era da austeridade. E é o oxigénio de uma indústria que os dirigentes dos clubes insistem em destruir com a sua guerrilha patética. A depressão de Itália poderia servir-lhes de lição.»

Fernando Sobral
.