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22.4.17

Dica (533)



The Mélenchon Economy. (Liêm Hoang-Ngoc) 

«Jean-Luc Mélenchon’s senior economic advisor explains his proposals to grow the economy and carry out an ecological transition.» 
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Futebol


Como é que se pretende que o futebol seja ainda um desporto cívico quando estão em causa milhões e milhões e quando as televisões fazem dele o alfa e o ómega da vida dos cidadãos? Já há mortes? Haverá mais. 
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A Europa testa os seus limites



«A sociedade francesa polarizou-se e radicalizou-se. E esta eleição, onde se discute sobretudo identidade e segurança, acontece no momento em que Theresa May, do outro lado da Mancha, faz a sua jogada de mestre para enfrentar a União Europeia e destroçar a oposição (trabalhista e interna, dentro dos próprios conservadores). (…)

Nesse aspecto a UE está mais frágil: não consegue reforçar-se politicamente de uma forma tão clara. As próximas eleições em França, na Alemanha e na Itália ilustram a sua debilidade. (…) A Europa está fracturada e volta a dividir-se ao meio, como aconteceu há um século. O sucesso de Le Pen e Mélenchon em França não é estranho: é o reflexo de sociedades onde se tem destruído o factor de estabilidade, a classe média, em nome da necessidade de austeridade cega. Une-os uma crença: o valor do trabalho deixou de existir e grande parte dos cidadãos olha, revoltada, contra uma elite de privilégios. (…)

Com um Fillon sem grande força, resta à elite e aos sectores menos radicalizados apostarem todas as fichas em Macron, o candidato que diz que é como De Gaulle: não é de direita, nem de esquerda, nem sequer do centro. É uma mistura de tudo isso. Ou seja, ele é o reflexo cosmopolita desse universo não ideológico em que só contam os resultados. Pode ser tudo e não ser nada. Mas é isso que leva a que seja confiável pelos sectores que mais têm a perder em caso de radicalização. (…)

O que é curioso é que três dos candidatos em França (Macron, Le Pen e Mélenchon) falam da necessidade de uma "revolução". Não uma nova Revolução Francesa, como a de 1789, mas à medida dos nossos dias. Sobre isso Macron é o menos convincente, mas seja qual for o resultado, dificilmente França voltará a ser a mesma.»

Fernando Sobral

Mostrem isto ao papa



… quando ele estiver a fazer a viagem para Fátima e perguntem-lhe o que pensa deste espectáculo. Tem sempre respostas tão politicamente correctas que gostava de saber o que diria neste caso.
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21.4.17

Janelas e mais janelas


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Dica (532)



Divided Turkey. Erdogan Leads His Country into the Abyss. (Onur Burçak Belli e Maximilian Popp) 

«Recep Tayyip Erdogan emerged victorious from last Sunday's referendum, but his slim margin of victory may actually have weakened his rule. Opposition to the Turkish president's power grab is forming and the EU can do little other than stand aside and watch.»
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Fátima - «Visões Imaginativas»



Espero, ou gostaria de esperar, que a comunicação social e os responsáveis políticos, presidente da República incluído, passassem a falar das «VISÕES» de Fátima ou, pelo menos (vá lá, sou condescendente...), das «ALEGADAS» Aparições em Fátima.


«Delegado pontifício da Cultura no Vaticano diz que é o momento de se falar com a “linguagem exacta” sobre o que se passou há 100 anos na Cova da Iria: foram visões místicas, não aparições.» 
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Eu assinei

Sete vezes vem ao pêlo



«É o tema da semana: uma epidemia de sarampo em Portugal em 2017. Parece uma ideia das lojas da Catarina Portas, mas não é.

Oiço falar em pessoas com sarampo e de imediato volto à infância. Vejo garrafas de Laranjina C e bicicletas de amoladores, vejo anúncios a preto e branco que dizem que capas de amianto na tábua de passar a roupa é que é bom, e recordo o meu pai a apagar o fogo de uma almofada do quarto porque fumava na cama. (…)

Anda por aí uma lógica de contrariar a ciência como se esta gente fosse saudosista dos anos 80, mas AC. Na verdade, vivemos num país que se escandaliza com pais que não vacinam filhos no século XXI, mas que celebra pastorinhos canonizados por curarem doenças com milagres. É profundamente idiota não vacinar filhos, mas esta notícia passa na mesma televisão onde, com ar sério, se celebra dois pastores que vão ser santos por curarem doenças à distância depois de já falecidos.

As televisões estão cheias de anúncios, com gente famosa, de remédios com nomes de desentupidores de sanita que dizem fazer bem ao cálcio dos mais velhos. Há um mês, vi a bruxa/cartomante da SIC a diagnosticar um problema de tiróide, a uma senhora que telefonou para lá, aflita, lendo cartas. Se tem saído a carta "A Carroça", era cirrose hepática. Espero que no futuro a senhora bruxa tenha uma apendicite e seja operada por um ilusionista. (…)

Falta vir o deputado do PAN alertar para a terrível extinção do tão raro vírus do sarampo. Deve um partido que defende a obrigatoriedade de vacinar os animais não defender o mesmo para os humanos? Ó terrível dúvida! (…)

Na minha opinião, a vacinação devia ser obrigatória. Mesmo que tivesse de ser dada com uma espingarda da dardos à distância. Estava a criança no baloiço e tau!, com mira telescópica. Se há pessoas que querem viver na idade da pedra, tudo bem, mas não arrastem os outros com elas. E se for necessário para convencer aquelas pessoas que gostam de fazer nascer os filhos em casa e de não dar vacinas aos miúdos, ofereçam um cheque de cem euros em missangas que elas aparecem.»

João Quadros

20.4.17

Janelas e mais janelas (12)



Casapueblo, Punta del Este (Uruguai), 2015.
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Isto é mesmo um país em forma de assim



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1975 – Nos últimos dias da primeira campanha eleitoral



A propósito de uma conversa recente sobre as primeiras eleições em democracia, retomo um «post» que publiquei já há algum tempo.

Há 42 anos, viviam-se os últimos dias da primeira campanha eleitoral em liberdade: em 25 de Abril de 1975 tiveram lugar as eleições para a Assembleia Constituinte.

A imprensa da época relata as inúmeras sessões de todos os partidos, um pouco por todo o país e recorde-se que foram muitas as interferências de uma parte do clero português quanto a intenções de voto, sobretudo a Norte. Mas até o Rádio Vaticano se pronunciou: o Diário Popular de 17 de Abril citou declarações da emissão portuguesa daquela rádio, segundo as quais «os católicos portugueses não devem dar o seu voto a partidos cujas opiniões e métodos são incompatíveis com as determinações cristãs do homem e a sua vida social. (...) Ninguém ainda conseguiu demonstrar que a visão católica (...) pode ser reconciliada com ideias marxistas». (*)

Não me admirava nada que este tipo de pressões tenha tido alguma influência nos resultados obtidos.

(*) Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p.78. 
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O pôr-do-sol e o exantema maculopapular



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
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E se em França os favoritos fossem quatro?



«Esta é a questão que coloca, muito seriamente, a revista "L'Obs". A poucos dias das eleições Marine Le Pen e Emmanuel Macron estão à frente nas sondagens, mas têm muito perto François Fillon e Jean-Luc Mélenchon.

Ou seja, da extrema-direita à extrema-esquerda todos podem vencer. Os patrões franceses, segundo um inquérito do "L'Expansion" preferem Fillon ou Macron. Mas resta saber o que pensam os franceses no geral. Na "L'Obs", Serge Raffy observa: "Um pequeno fenómeno, chamado Jean-Luc Mélenchon, veio virar o jogo. O 'pequeno pai dos povos' da França insubmissa, no papel de raposa no galinheiro, provocou um forte pânico nos estados-maiores. Mélenchon encontra-se no centro do jogo, uma espécie de árbitro das elegâncias eleitorais, testemunha da segunda divisão que se tornou actor principal".

No "El Mundo", Arcadi Espada argumenta: "Isto quer dizer o impensado, o impensável: que Marine Le Pen ou Jean-Luc Mélenchon possam ser presidentes de França é uma possibilidade real. Há uma maneira brutal de descrever esta possibilidade: depois de 1945 o fascismo e o comunismo voltam a competir frente a frente na Europa. Mélenchon e Le Pen só são a versão vermelha e negra do mesmo desembrulhar populista. Ou para dizê-lo em linguagem de ontem: a mesma crise das democracias. Por estes dias, e salvo nos comícios de Macron, em França só se fala de nação e de identidade. A decadência é imparável". No meio está Emmanuel Macron, cada vez mais considerado o candidato que pode conquistar votos à direita e à esquerda. Num dos seus comícios desta semana, em Paris, ele foi claro: "Como De Gaulle eu escolho o melhor da esquerda, o melhor da direita e mesmo o melhor do centro". E acrescentou: "Eu não sou de um lado ou de outro, eu sou pela França". A seu favor citou Lech Walesa, Vaclav Havel, Bob Dylan, Michel Rocard, François Mitterrand e Jacques Chirac. Chegará?»

Fernando Sobral

Jacinta e Francisco «canalizados»?



Não me parece mal… 
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19.4.17

Janelas e mais janelas (11)



Riga (Letónia), 2003.
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Dica (531)




«A clear majority of Turkish voters in Germany cast ballots in favor of Erdogan's presidential system -- many out of spite for the country. The development reveals how far immigrants from Turkey still have to go before they will be integrated at the center of society.» 
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Carta à República





Gravado a partir do LP original de Milton Nascimento e Fernando Brant.
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Carta à Rep


Não em nosso nome, senhor presidente



Leia esta carta aberta, escrita a propósito das declarações do presidente da República em Gorée, e assinaturas, na mesma.


«Declarou Marcelo Rebelo de Sousa que Portugal aboliu a escravatura "pela mão do marquês de Pombal, em 1761," e que "essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade". Esta visão idealista e excecionalista do legado colonial da história portuguesa, assente num alegado pioneirismo humanista, foi sendo construída ao longo do século XIX e popularizada durante o Estado Novo. Serviu como ferramenta retórica que permitiu mobilizar a opinião pública nacional a favor do projeto imperial que começou a desenhar-se em fins do século XIX e, por outro lado, responder aos ataques de potências rivais ou de instituições internacionais como a ONU, quando, a partir dos anos 50, o colonialismo passou a ser rejeitado como modelo de desenvolvimento económico, social e cultural.»

E, a propósito: