Páginas

29.5.17

França: Dura lex, sed lex…




«Le parti fondé par Emmanuel Macron s’est vu attribuer douze minutes pour la diffusion des clips de campagne contre deux heures pour le PS et une heure et quarante-quatre minutes pour LR. (…)
Les partis qui n’ont pas de groupe parlementaire – comme LRM mais aussi La France insoumise de Jean-Luc Mélenchon ou le Front national de Marine Le Pen – se voient attribuer une durée de douze minutes sur les deux tours, s’ils ont au moins 75 candidats.»
.

Caetano Veloso, ontem



.

Eleições que estão vivas em partidos que estão mortos



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«As eleições autárquicas são um momento fundamental da nossa democracia. Num certo sentido são as mais democráticas das eleições: milhares de portugueses nelas participam, a abertura a listas independentes contrasta com as limitações nas eleições legislativas, e percorrem toda a cadeia hierárquica da administração local, da freguesia ao município. São também a eleição com maior proximidade entre eleitos e eleitores, a elas concorrendo pessoas que são localmente conhecidas e reconhecidas (ou não), com forte personalização. Embora a partidarização seja muito forte, como em toda a vida pública portuguesa, a presença dos partidos é menor e muitas vezes diferente, visto que alguns autarcas têm muito mais independência das direcções partidárias do que os deputados, e não se coíbem de exprimir opiniões críticas, principalmente quando tem legitimidade eleitoral própria. (…)

Claro que nem tudo está bem nas eleições autárquicas, porque normalmente as belas tem sempre senãos. Existem fenómenos de caciquismo, e uma tendência para a promessa eleitoral insensata, que não dura mais do que o tempo da campanha. Infelizmente a tradição em candidaturas de vários partidos, com relevo para o PSD, CDS e PS, é o modelo das “vinte estações de metro” que o CDS quer fazer em Lisboa. Já nas candidaturas deste ano vi as mais fabulosas das promessas, incluindo um “precisamos de uma rotunda neste espaço”. No entanto, começa a haver uma crescente utilização nas campanhas eleitorais de listagens das promessas feitas na campanha anterior e do seu não cumprimento. É igualmente um passo em frente no escrutínio dos mandatos que talvez possa colocar alguma moderação. (…)

Mas o problema com as campanhas autárquicas, no exacto mimetismo com as nacionais nos dias de hoje, não é tanto o ridículo que muitas vezes era mais original do que o gozo que se lhe fazia, mas a insuportável cinzentismo dos dias de hoje. Ora esse cinzentismo é revelador, por um lado, da apropriação da política por agências de publicidade, marketing e comunicação, que pululam à volta dos partidos e que gostam imenso de campanhas eleitorais onde ganham bom dinheiro. Essas campanhas profissionalizadas caracterizam-se por incorporar a cultura do “não te mexas”, de falta de risco, de querer falar sempre de dentro de um enorme vazio. E essa é em grande parte a política dos partidos de governação, que como não tem nada a dizer refugiam-se nos estereótipos que são o molde da vida política dos dias de hoje. Não há nada para dizer, porque o que há para dizer não se pode dizer.

A amostra que já é possível ter das campanhas que já arrancaram em 2017, é disso um exemplo, sem originalidade, sem conteúdo, usando as mesmas palavras, os mesmos slogans, dum vazio impressionante. Os exemplos que refiro a seguir são todos de 2017, na sua maioria do PSD, CDS e PS, algumas do BE. O PCP tem mantido alguma prudência com um slogan único até agora: “trabalho, honestidade e competência”. (…) Temos as campanhas do “mais” e do “melhor” (…), depois há as campanhas da “mudança” (…), há as declarações de amor às terras. (…)

E isto é só o princípio, uma amostra de cerca de setenta campanhas concelhias já na rua. Duvido que para a frente vá ser muito melhor. O problema já não é das eleições autárquicas, é da esterilidade crescente da vida política nacional.» 
.

28.5.17

Transportes «fora da caixa» (7)



Não se vê, mas vão por aqui milhares de motoretas! É assim o trânsito em Hanói. Vietname (2009). 
.

Vergonha que não é alheia – é nossa




«Casi 1.500 personas, rescatadas en 12 operaciones de salvamento en las aguas del Mediterráneo, han estado bloqueadas desde el jueves en el Mediterráneo a bordo del Prudence, el barco de búsqueda y rescate de Médicos Sin Fronteras (MSF). La embarcación, con capacidad para 600 personas, no podía regresar a Sicilia. ¿El motivo? Las fuertes medidas de seguridad adoptadas con motivo de la cumbre del G7, celebrada en la ciudad de Taormina (situada en la costa este de la isla) entre este viernes y este sábado. 
La delegación italiana de Médicos Sin Fronteras llevaba días alertando de la "situación tan insostenible" que han vivido las 1.446 personas, entre ellas 140 mujeres y 45 niños, que viajaban a bordo del Prudence desde el pasado jueves. » 
.

Portugal é o maior!


.

Os prisioneiros esquecidos



«A 28 de Maio de 1961, há precisamente 56 anos, o jornal The Observer, do Reino Unido, publica um artigo do advogado Peter Benenson, com o título The forgotten prisioners. O artigo chama a atenção para as pessoas perseguidas e presas pelas suas opiniões políticas ou religiosas contrárias às dos seus governos. Benenson apela aos leitores para que escrevam aos líderes e instituições desses países para respeitarem e defenderem os direitos básicos dos seus cidadãos. A iniciativa, chamada de Apelo por Amnistia 1961 teria a duração de um ano e o sucesso da campanha dependeria da mobilização da opinião pública.»

28.05.1926 – A «Revolução Nacional»



Recordo a data quase todos os anos, não só para preservar a memória, mas porque deixou marcas que ainda hoje sofremos na pele – conscientemente ou nem por isso.

Em 1926, um dia terrível e decisivo na nossa História marcou o fim da 1ª República e esteve na origem do Estado Novo. Todos os anos havia comemorações, mas duas ficaram na memória.

Foi num outro 28 de Maio, mais concretamente em 1936, no 10º aniversário da «Revolução Nacional», que Salazar proferiu um discurso que viria a ficar tristemente célebre: «Não discutimos a pátria...»



Ainda num outro aniversário – no 40º, em 1966 – o chefe do governo, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto (entre os outros passageiros, acompanhado pela governanta) para assistir às celebrações que tiveram lugar em Braga.



Não se ouve, neste vídeo, uma frase do discurso que deixou o país suspenso: «Eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargura no Governo». Mas Salazar continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade da pátria».

E ficou – até que uma cadeira cumpriu a sua missão histórica.
.

Da série «Títulos sinistros»



(Expresso Economia de 27.05.2017)
.

27.5.17

Transportes «fora da caixa» (6)



À espera que eu montasse (e montei) para me levar ao Ninho do Tigre. Paro, Butão (2010).
.

Dica (554)

Tenha paciência, dr. António Barreto, é a vida…




(Revista do Expresso, 27.05.2017)
.

Nem mais!


.

Alojamento Local?



Já que tudo foi dito sobre a visita do papa, a vitória de Salvador e quando estão quase esgotados os palpites sobre a ida, ou não, de Centeno para o Eurogrupo, eis que aí está um novo tema que fará correr – e com razão – muita tinta: a legislação que o PS pretende aplicar ao Alojamento Local (AL).

O tema não é fácil e de uma coisa estou certa: aqui no meu prédio, que tem vinte condóminos, a resposta a um eventual pedido de um deles para usar o seu espaço para AL seria um rotundo «não». E creio não me enganar quando imagino que o mesmo aconteceria numa elevadíssima percentagem dos prédios onde vivem (ainda) pacatas famílias burguesas de Lisboa ou do Porto. Creio que Helena Roseta aborda bem a questão no Público de hoje, ao sublinhar que não é com medidas avulsas que se solucionam problemas complexos como este. Aqui ficam alguns excertos.

«O Alojamento Local (AL) é sem dúvida uma forma de promover o turismo e de permitir a pequenos proprietários um rendimento adicional. Mas a conjunção de factores que levou ao disparar desta modalidade de alojamento está a ter efeitos negativos em zonas históricas de várias cidades, contribuindo para a rarefacção e sobreaquecimento do mercado de alojamento permanente. Há freguesias em que os moradores estão a ser expulsos por mudança de proprietários, cessações de contratos, despejos e transformações de uso, com as novas rendas a atingirem valores inalcançáveis ou mesmo a deixarem de existir. Há quem já só consiga arrendar casas à semana. (…)

Não creio que um fenómeno como este, em que as plataformas de interacção entre oferta e procura também desempenham um papel decisivo, contribuindo para a sua expansão e aceleração, se resolva com leis “cirúrgicas” como a que o PS acaba de propor. Para legislar melhor, temos de conhecer bem os problemas, estudar os seus impactos, sobretudo quando são contraditórios, e ouvir as partes interessadas. Não foi este o caminho agora seguido pelo projecto de lei do PS e é pena.

Mas o debate está aberto. A este projecto de lei irão certamente seguir-se propostas dos outros partidos e será no Parlamento, na discussão entre todas as iniciativas, que poderá chegar-se a uma lei que seja útil e tão justa quanto possível. Para os que acreditam que as leis só atrapalham o mercado, respondo que em muitas cidades da Europa e dos EUA esta matéria está a ser alvo de propostas políticas de intervenção, umas mais radicais que outras, face ao alastramento vertiginoso do AL que faz diminuir perigosamente o mercado de habitação permanente e acessível, pondo em causa a própria sustentabilidade urbana. (…)

É preciso encarar esta temática de forma transversal — a fiscalidade, as políticas sociais, o ordenamento do território e das cidades, o papel do Estado e dos municípios e o acesso a informação de mercado transparente e credível são aspectos que não podemos ignorar. A questão não é apenas de habitação — é de convergência nas políticas e de harmonia nas cidades. Mais do que propor medidas avulsas, temos de identificar o que tem de ser mudado ao mesmo tempo em várias políticas públicas. É este o debate que importa e é cada vez mais urgente.» 
.

26.5.17

Transportes «fora da caixa» (5)



O que esta carruagem blindada tem de especial é ter sido usada por Estaline a partir de 1941. Foi nela, por exemplo, que se deslocou à Conferência de Yalta, em 1945. Encontra-se no mesmo recinto em que se situa a casa em que ele nasceu e o Museu Estaline, em Gori. Geórgia (2012).
.

Alegrai-vos, fãs de Emmanuel Macron



Le camp Macron en marche vers la majorité absolue aux législatives selon les sondages.

«Selon les projections d'Opinionway qui portent sur 535 circos métropolitaines (au total la France en compte 577), La République En Marche pourrait s'adjuger plus de la moitié de sièges de l'Assemblée en juin prochain (entre 310 et 330) avec moins d'un tiers des suffrages au niveau national. De quoi décrocher facilement la sacro-sainte majorité absolue des 289 sièges qui lui permettrait de régner sans partage.»

(O PSF arrisca-se a não ter mais deputados do que France Insoumisse / PCF – o que me dá um enorme gozo, confesso!)
.

Geringonça: quem não arrisca não petisca



Daniel Oliveira no Expresso diário de hoje:

.

Quem não anda pelo Facebook…



… não sabe o que perde! 
.

À sombra de um Oliveira Costa



«Cerca de oito anos depois já há condenados no caso BPN. Ainda dizem que a Justiça é lenta. Oito anos não dão para um PM tirar um curso. (…)

É bom ver banqueiros atrás das grades mas, desculpem-me a minha insatisfação, parece-me que nestas coisas apanham sempre a arraia miúda. Arranjam um paspalho para ser só ele e o contabilista. Ao Oliveira Costa basta ouvi-lo e vê-lo, e ver como veste, para imaginar que planeou aquilo tudo sozinho... Foi falar com o Dias Loureiro que lhe disse - "isso é demasiado complexo para a minha cabeça". Resultado final, Oliveira Costa catorze anos de prisão, Dias Loureiro quinze dias de férias. (…)

Tenho a teoria que é sempre o que veste pior e está menos bronzeado que vai dentro ou leva a pena maior. É sempre o sucateiro. Se é o Oliveira Costa que leva a maior talhada acredito que no do BES o único condenado vai ser o senhor do bigode, o Amílcar Morais Pires e não um Espírito Santo. No caso do Sócrates, é condenado o Perna e o primo gordo do ex-PM.

É tão curioso ver um indivíduo que pede sandes de Bimbo com queijo levar catorze anos de pena e o Dias Loureiro que ao pequeno almoço faz brincos com lavagantes nem aparecer nos acusados. A esta hora está Aníbal Cavaco Silva a ligar para o Dias Loureiro a dizer: "Sempre pensei que este era um tipo honesto, as pessoas são uma surpresa!". Diz o ex-conselheiro de Estado - "É verdade, quem diria?! Que sorte que tivemos que ainda conseguimos fazer dinheiro com aquilo".

Como dizia um amigo meu - "pelo menos agora podermos parar com alegadamente e chamar-lhes mesmo ladrões" - É verdade, mas na realidade o "alegadamente" é o que lhes tirava o estilo. Ficam só ali a meio: nem eram de confiança nem tinham o charme de um bandido.

Neste momento em que o nosso dinheiro do BPN já ardeu todo, a única coisa que me preocupa é o Oliveira Costa não ter estado presente na leitura da sentença porque fez uma operação cirúrgica e estava em recuperação. O que me preocupa é se foi uma cirurgia plástica e agora chama-se Rute Oliveira e nunca mais lhe pomos a vista em cima.»

João Quadros

Brasil


@Eduardo Sama
.