Páginas

23.3.17

Um país, uma imagem (8)



China, 2004. Xian, Exército de terracota.
.

Dica (512)



The Geopolitics Of Chaos. (Javier López) 

«The new world disorder is under way while speculation about what President Trump would do has given way to a spate of executive orders. The cocktail of reactionary withdrawal from previous commitments (Trump + Brexit) is imposing a change of guard on international relationships, leaving the northern hemisphere turned upside down.» 
.

Então mas o que é isto?



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:




Na íntegra AQUI.
.

O botas é que sabia!


.

Dijsselbloem, o anjo inútil



«Na história da política há muitos idiotas úteis. Na política europeia há um anjo inútil: Jeroen Dijsselbloem. A sua única utilidade, até hoje, foi ser uma versão sofrível de bobo da corte de Wolfgang Schäuble.

A sua relevância no purgatório europeu deriva de fazer parte da família socialista e de ser um afinador de pianos da ideologia da austeridade. Seria impossível uma síntese destas se não existisse Dijsselbloem. Há quem acredite que ele nasceu na mesma fábrica onde foi construído Frankenstein, mas claramente houve um defeito de fabrico. Frankenstein é superior a todos os níveis. Mas é com personagens como Dijsselbloem que se regou o nacionalismo extremista e o populismo que floresce na Europa. O seu discurso, às vezes, parece o de alguém saído de "Voando sobre um Ninho de Cucos". Mas não é verdade: o seu discurso sempre foi minuciosamente estudado. O ainda ministro holandês continua a achar que é a voz dos crentes contra os pecadores. E estes, claro, dissipam tudo em "copos e mulheres". Ou em carros e tremoços. Dijsselbloem, claro, não dissipa: só bebe descafeinados e só olha para bonecas insufláveis.

Custa ter de se dar atenção a esta personagem saído de um filme de série Z. Dijsselbloem, como não singrou na carreira de comediante, foi acolhido como político. Chegou a ministro. E, pior, é chefe do Eurogrupo. O que revela bem o que é esta União Europeia a que os países do Sul têm de prestar contas sucessivas por causa da sua "dissipação moral". Quando Dijsselbloem é a voz da UE o que é que se pode esperar dela? Nada de relevante: ele é o símbolo perfeito do mundo dos vícios privados e das públicas virtudes a que os países do Norte devotaram a sua existência. Dijsselbloem é um Pierrot perigoso: diz, como político pretensamente do "establishment", aquilo que os populistas proclamam nas ruas. O que o torna um inimigo público da Europa como espaço solidário e uno. É como um falso Rei Mago: o seu aroma não é de incenso nem mirra. Cheira a ácido sulfúrico. Deveria ser colocado numa ETAR.»

Fernando Sobral

22.3.17

Um país, uma imagem (7)



Uzbequistão, 2011. Samarcanda.
.

Dica (511)



A Tax on Robots? (Yanis Varoufakis)
.

Valha-nos o sentido de humor!


(foto@Bruno Gonçalves)

«Se vão substituir o Dijsselbloem, por favor respeitem os povos do Sul. O nome do próximo presidente do euro-grupo deverá ser um nome paritário, ou seja, deve respeitar saudável o equilíbrio entre consoantes e vogais. Voltar a ter um nome com 67% de consoantes deverá estar fora de questão.» (Luís Aguiar-Conraria no Facebook) 
.

Dijsselbloem no bordel



Pedro Santos Guerreiro no Expresso diário de 21.03.2017:

...(...)



.

21.3.17

Um país, uma imagem (6)



Argentina, 2003. Glaciar Perito Moreno.
.

Dica (510)




«The debate over migration is plagued by a variety of inaccuracies and misunderstandings -- on both the right and the left. Here is what the research really shows.»
.

Estamos nós dependentes destas abéculas!

Radicalizar a democracia, mobilizar os afectos



Uma interessante entrevista, feita por António Guerreiro a Chantal Mouffe que proferirá amanhã uma conferência em Lisboa. Alguns excertos:

«Há muitas maneiras de compreender a política. E uma delas, a concepção dissociativa, implica a dimensão de antagonismo, do conflito em que não pode haver duas resoluções racionais. Esta é a concepção em que me inscrevo, por isso parto da ideia de que é necessário reconhecer que há na sociedade a dimensão do político, que é justamente essa dimensão de antagonismo, própria de uma sociedade que está sempre dividida. Coloca-se então a questão de saber se a democracia pluralista é possível, se o resultado não é a guerra civil, pois os teóricos que se inscrevem nesta concepção concluem facilmente que para existir uma ordem é necessário que seja uma ordem autoritária, imposta de cima. Ora, eu afirmo que é possível pensar uma ordem democrática, mesmo partindo de uma concepção do político como antagonismo, na condição de ver que esse antagonismo pode dar-se de maneiras diferentes. (…) Eu digo que “nós” e “eles” não vão poder pôr-se de acordo, distanciando-me assim da concepção deliberativa da democracia, em que a ideia é a de que se discuta para chegar ao acordo, ao consenso. Ora, embora defendendo a ideia de que na política há muitas coisas relativamente às quais não é possível chegar a acordo, é ainda assim possível o confronto com os adversários (não inimigos) de maneira a criar instituições que permitem viver em conjunto, sem que seja necessário existir o consenso. É a isso que chamo democracia agonística. (…)

“O político” é algo da ordem da metapolítica, é a afirmação, no plano teórico, de que há antagonismos, de que a sociedade está dividida. Já “a política” é um conjunto de práticas, de “jogos de linguagem”, de decisões sobre o modo de organizar a coexistência humana, sob as condições dos conflitos nunca resolvidos. A concepção dissociativa da democracia, da qual parto, é uma tese sobre a natureza do político. Mas as questões que se colocam a seguir são estas: como se vai organizar a sociedade? Que tipo de instituições é que nos vão permitir viver em conjunto? E aqui já estamos no domínio da política.

A pós-política é uma das dimensões da pós-democracia. A minha tese é a de que estamos em sociedades que se dizem democráticas, mas as instituições democráticas giram no vazio, na medida em que uma dimensão importante da democracia (não esqueçamos a etimologia da palavra: demos + kratos, soberania do povo) está hoje completamente eliminada. É verdade que há eleições, mas elas consistem, na maior parte dos casos, em escolher entre quem oferece praticamente a mesma política, o centro-direita e o centro-esquerda. É a este consenso ao centro que chamo pós-política, que é uma das razões da pós-democracia. Os cidadãos já não têm a possibilidade de intervir, de fazer escolhas. (…)

Para mim, os movimentos populistas são formas de resistência contra a pós-democracia, uma busca por alternativas ao sistema actual. Mas há diferentes formas de populismo, ele não tem um conteúdo específico, não é uma ideologia, não é um regime. É uma forma de estabelecer a fronteira entre “nós” e “eles”. Julgo que na origem dos movimentos populistas há uma resistência à pós-democracia, uma manifestação pelo poder de intervir. Distingo entre um populismo de esquerda e um populismo de direita. O problema deste é o modo como ele constrói a oposição entre “nós” e “eles”, dizendo que o “eles” são os imigrantes, e é por causa deles que “nós” estamos em más condições. O modelo típico deste populismo é Marine Le Pen. (…)

A palavra “populismo” nem sempre teve este sentido negativo. Por exemplo, nos Estados Unidos, há um século, o partido populista era um partido progressista, mas hoje os partidos do centro, os partidos do Governo, defendem a sua posição denegrindo e acusando tudo o que se opõe a eles. Creio que há necessariamente uma dimensão populista da democracia. Não é uma perversão da democracia, como se diz muitas vezes, já que ela não existe sem a constituição de um demos, um povo. É preciso re-significar de maneira positiva a palavra “populismo”, lutar contra as democracias sem povo.

Há uma dimensão populista no fascismo, sem dúvida. Hitler e Mussolini eram populistas. E por causa da experiência dos fascismos, as forças de esquerda têm uma atitude de distância em relação a tudo o que tem que ver com a dimensão afectiva da política, a mobilização das paixões, a cristalização dos afectos, tudo aquilo que, a meu ver, é absolutamente central para a política. (…) O populismo deve significar a mobilização dos afectos do povo no sentido de uma radicalização da democracia. Defendo um reformismo radical, que passa por uma crítica imanente das nossas sociedades.» 
.

Até nos mapas encolhemos…




«Toda a América do Norte e também a Europa deixam de sobressair no planisfério, como acontecia até agora, para se destacarem o continente africano e o hemisfério sul. Até parece que estes ficaram maiores, mas é apenas uma mudança de paradigma no sistema de ensino, para uma representação plana da Terra mais aproximada da real dimensão dos países e continentes - muito diferente da que está mais enraizada, há quase 500 anos, no mundo ocidental. (…)

A Rússia ocupa o equivalente a metade do território de África e não o dobro, por exemplo, ao contrário do que sugere o mapa mundo mais popular.»

Mas a questão não é nova, nem é simples:


.

20.3.17

Um país, uma imagem (5)



Butão 2010, Palácio Punakha Dzong.
.

Dica (509)

A Náusea



Ontem, várias pessoas pediram, no Facebook, que divulgasse um excelente texto de Valdemar Cruz, publicado no Expresso de 18.03.2017, sobre a actividade da rede bombista de extrema-direita em 1975-1976. Deu algum trabalho de corte e costura, mas aqui fica.













.

Ei-la por aí



.

O Dia do Pai cujos filhos emigraram



Nicolau Santos no Expresso curto de hoje:

«Ontem passou mais um Dia do Pai. O nome devia mudar para Dia do Pai do Emigrante. É que há poucas famílias da chamada classe média que não tenham pelo menos um filho emigrado, quando não dois ou mesmo três. No meu círculo de amigos, um dos casais tem os dois filhos fora, ele em Sidney, ela em Londres; outro, tem a única filha em Edimburgo; outro ainda tem uma filha em Londres, outra na Escócia e só uma vive cá; outro tem duas filhas em Londres e outra cá; eu tenho um filho em Sillicon Valley e a filha cá.

É bom para eles? Fora de causa. É muito bom, do ponto de vista profissional e financeiro, além da rede de contactos que entretanto constroem e que lhes será muito útil pela vida fora. Além disso, tornam-se cidadãos do mundo e ficam aptos a trabalhar em qualquer ponto do globo. A contrapartida é que não voltam – ou muito poucos voltarão. Por falta de oportunidades profissionais interessantes mas também pela baixa remuneração que lhes é proposta e que não tem qualquer comparação com o que lhes é oferecido no estrangeiro, com os estudos que fizeram e com o trabalho que desenvolvem. Mais que não fosse – e há outras razões que dificultam o regresso, como relacionamentos afectivos com pessoas doutros países entretanto estabelecidos – aqueles motivos são mais que suficientes para não pensarem voltar a Portugal, pelo menos tão cedo. (…)

Mais de 70% desses jovens portugueses qualificados digam que querem regressar, 66,8% dizem que não pensam fazê-lo antes de três anos e quase 40% acrescentam que não pensarão em tal coisa antes de cinco anos. É, como se compreende, uma resposta de alguém que precisa de tempo para decidir. Mas que também precisa de estímulos para regressar: projetos interessantes e inovadores e remuneração compatível. E isso não se vê no horizonte. Pelo contrário. O processo de ajustamento devastou a economia portuguesa. Antes da crise, Portugal tinha 35 empresas entre as 100 maiores da Península Ibérica. Agora tem apenas seis. Quem pode agora oferecer salários competitivos e projectos desafiadores para fazer regressar a maioria dos jovens talentos que emigrou? Quase nenhuma empresa, como é óbvio. O país perdeu a maioria da geração mais bem preparada que alguma vez teve.» 
.